12.11.2018

Novembro Azul: entenda por que o diagnóstico precoce do câncer de próstata faz a diferença

Especialistas explicam que não há como prevenir a doença, já que ela não tem causas definidas.

 

RIO — Não há alternativa: para não ser vencido pelo câncer de próstata, o homem deve se consultar anualmente com o urologista, mesmo quando não há suspeita da doença. A visita ao médico deve acontecer a partir dos 50 anos, idade que cai para 45 quando para quem tem histórico da patologia na família.

Segundo especialistas, a causa do câncer de próstata ainda não é conhecida, o que dificulta a definição de medidas de prevenção. Por outro lado, há diferentes formas de tratamento, que têm maior chance de funcionar quando o problema é descoberto em seu estágio inicial. Por isso, a campanha do novembro azul mostra as formas de se evitar a fase avançada do câncer de próstata.

— Depois do câncer de pele, o câncer de próstata é o mais frequente nos homens. São cerca de 70 mil casos e em torno de 15 mil mortes por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Na fase inicial, ele é assintomático, silencioso. E o novembro azul existe para mostrar que há grande chance de cura com o diagnóstico precoce. Quando descoberto no início, a possibilidade de recuperação é de 95%. Então, se toque, procure seu médico para saber se há alguma alteração na próstata — afirma o professor de urologia da UERJ Ronaldo Damião.

Urologista do Hospital de Câncer de Pernambuco, o doutor Luiz Henrique Araújo diz que a doença atinge um em cada seis homens ao longo da vida, sendo mais incidente entre 50 e 70 anos. Ele reforça que não há uma causa específica para o câncer de próstata, mas aponta que cerca de 10% dos diagnósticos são associados a fatores hereditários.

— O urologista deveria ser para o homem o que o ginecologista é para a mulher. Em todas as fases, ele deveria procurar o urologista. Na idade mais jovem, o médico pode ajudar na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis; na avaliação da fertilidade e na prevenção de tumores de uma forma geral, como o de bexiga e o de pênis. É uma especialidade relevante também para as mulheres, que podem tratar incontinência urinária e cálculo renal, por exemplo — esclarece Luiz Henrique Araújo.

O prognóstico da doença é feito pelo toque retal, que verifica se há algum nódulo na região prostática, e por um exame de sangue que mede a dosagem de uma proteína chamada Antígeno Prostático Específico (PSA), produzida na próstata. O professor Ronaldo Damião explica que, em um homem de 50 anos, o valor normal do PSA é de 2,5 a 4. Se as análises identificarem alguma alteração, é solicitada uma biopsia, para confirmar se existe ou não um tumor.

O doutor Luiz Henrique Araújo indica que, para homens abaixo de 65 anos, o limite de PSA é de 2,5. Já para aqueles acima dessa idade, o valor é até quatro. Cada caso, no entanto, deve ser estudado individualmente. Apesar da resistência que o toque retal pode gerar, o médico afirma que o exame de sangue não o substitui.

— O exame de PSA não é perfeito. De 10 a 15% de pacientes que têm o PSA normal apresentam alteração no toque. Por isso que todo paciente deve realizar os dois exames. O toque aumenta a possibilidade de o médico detectar um possível tumor. É um exame simples, rápido, indolor, dura de 10 a 15 segundos e não diminui a masculinidade do homem — afirma Araújo.

Esse tipo de câncer pode causar metástase, que é a dispersão para diversas partes do corpo pela corrente sanguínea, e levar o paciente à morte. Na fase inicial, a opção de tratamento é a chamada vigilância ativa, com exames a cada trimestre para verificar a progressão ou não do tumor. Nas situações mais graves, as alternativas são radioterapia, retirada da próstata ou bloqueio hormonal.

—  Se for um tumor benigno, o caminho é simplesmente acompanhar e tratar clinicamente. Uma vez diagnosticado o tumor agressivo, é preciso saber se está só na próstata ou fora também. Se for só na próstata, o paciente pode ser operado ou fazer radioterapia. Se também estiver fora da próstata, só radioterapia. Caso haja metástase, bloqueamos a testosterona, para amenizar a evolução da doença, mas, nesse estágio, não há mais chance de cura — explica Ronaldo Damião.

Em estágio avançado do câncer de próstata, o paciente pode ter retenção de urina e até urinar sangue. Outros sintomas próprios dessa fase são urinar com frequência maior do que a normal, levantando mais de três vezes à noite, por exemplo; e dor nos testículos. Feridas no pênis e dificuldades de ereção também podem ser sinais da doença.

— Se você quer ter a oportunidade de ver seus netos crescerem e se formarem, é preciso cuidar de sua saúde e garantir a longevidade — alerta Ronaldo.

*Estagiário sob supervisão de Renata Izaal

 

 


Fonte: https://oglobo.globo.com/saber-viver/novembro-azul-entenda-por-que-diagnostico-precoce-do-cancer-de-prostata-faz-diferenca-23224001